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O MUNDO DE SOFIA

EDUCAÇÃO. SAÚDE. SUSTENTABILIDADE.

O MUNDO DE SOFIA

EDUCAÇÃO. SAÚDE. SUSTENTABILIDADE.

Não normalizem o bullying!

Ana Sofia, 29.05.21

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Vou contar-vos um pouco da minha história...

Esta sou eu ao longo de 20 anos.
Como podem ver, a minha imagem de marca era uma monocelha, acompanhada por dentes grandes e tortos, cabelo armado e uma magreza que dava para passar entre as grades da escola ou até mesmo para enfiar dentro de um cacifo. Sim, porque eu cabia dentro de um cacifo e quase fui fechada num.

Durante a infância e adolescência tive alguns problemas de saúde que foram corrigidos com:
Calçado ortopédico - para o famoso pé raso e que pesavam como chumbo;
Colete de correção - a minha cifose adorada que não me deixou fazer Educação Física durante 2 anos inteiros e, pelo facto de o colete abranger todo o tronco e apertar no pescoço com recurso a um parafuso, eu era chamada de "CADELA";
Aparelho ortodôntico - mil cuidados para não ficar com restos de comida alojados nos ferros e saudades de mudar os brackets coloridos todos os meses no dentista.

Além de toda eu ser ferro e metal da cabeça aos pés, era também a melhor aluna da turma e uma das melhores da escola. Obviamente, era chamada de "SABICHONA" e gozada por muitos colegas.

Cheguei a escutar conversas na casa de banho de pessoas que considerava serem amigas mas que, afinal, também me gozavam. Ou era isso ou então tinham inveja de eu ser como era. Não sei.

Aos 12 anos decidi cuidar das minhas sobrancelhas e do buço porque além de "PEQUENITA" e "MONOCELHA", eu também era apelidada de "BIGODES".

Por essa altura, havia um colega que tinha um prazer enorme em insultar-me e bater-me, agarrando-me nos pulsos com firmeza até os dedos ficarem marcados na minha pele.
Escusado será dizer que me defendia aos pontapés nos "cojones" dele visto que não podia usar as mãos. Ah, e cheguei a cuspir-lhe na cara. Azar.

Não mostrava aos meus colegas a minha fraqueza naquelas situações, situações essas que agora têm nome - BULLYING.
Agarrava-me aos estudos, à literatura (ler sempre foi terapêutico para mim, então Harry Potter nem se fala!) e à música (ainda hoje guardo com carinho o meu único leitor de CD's, oferecido pelo meu pai, e que ainda funciona!)

Sempre falei com os meus pais, nunca lhes escondi nada e sei que graças a eles (que sofreram por me ver sofrer) sempre me consegui defender e dar a volta por cima. A minha família foi, é e sempre será o meu pilar de vida.

Mas tenho as minhas marcas. Que não desaparecem e sei que não vão desaparecer porque fizeram parte do meu crescimento e moldaram, de certa forma, a pessoa em que me tornei.

Hoje trabalho numa escola. E garanto-vos que mesmo sendo pequenas, as crianças conseguem ser cruéis, muito cruéis. Por vezes, nas suas atitudes, revejo-me e revejo os meus colegas. E parte-me o coração ver como seres tão pequenos e inocentes conseguem ser tão maldosos.

É preciso intervir.
As crianças de hoje são o futuro de amanhã e nós, os adultos, somos os seus modelos.
Se soubermos respeitar o outro, a criançada também o irá fazer, seja em que circunstância for.
Por isso, por favor:

NÃO NORMALIZEM O BULLYING.

Um abraço,

Sofia

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